Publicado por: dmonteiro | Outubro 18, 2008

Review: Metallica – Death Magnetic

Após um longo tempo sumido (adicione aí trabalho de graduação, tempo de férias e a procura por um emprego), resolvi reativar este blog que você está lendo agora! A sessão de Reviews já é tradicional e portanto merece ser a primeira desta nova leva de posts que eu pretendo escrever. Indo ao ponto em 5, 4, 3, 2, 1…

Falar de uma banda como o Metallica é bastante arriscado. Essa banda é um dos (senão o maior) ícones do Trash Metal, sendo influência de muitas outras bandas. Portanto, ao fazer um review desse novo disco não posso esquecer do passado da banda. E é aí onde eu quero chegar. Tendo noção do quanto importante essa banda é, os caras resolveram dar uma olhada pra trás e voltar às raízes. Se vocês ouviram o St. Anger entendem o porquê disso tudo.

Certo, isso é bom…e como ficou o Death Magnetic então?

Durante o processo de gravação do novo álbum, os integrantes sempre mencionavam um álbum: Master of Puppets. Acontece que isso gerou uma expectativa muito grande em cima do Death Magnetic, o que pode ter frustrado muitos dos fãs das antigas. É claro que tem muita coisa nele que remete ao clássico do Metallica, mas eu creio que há mais influências dos outros discos também.

Vamos ao faixa a faixa:

01 – That Was Just Your Life: A música começa com batimentos cardíacos e uma guitarra limpa. Não espere muito para ouvir o peso das guitarras. Segue-se um riff interessante que puxa os vocais de James. Um excelente começo, devo dizer. É possível notar uma sonoridade próxima ao And Justice aqui, dando destaque para a guitarra do Kirk (é isso aí, solos de guitarra novamente!), com bons riffs e um solo muito bem executado e criativo. Ele trouxe consigo seu wah wah e promete não deixá-lo desligado por muito tempo. Uma das melhores músicas do álbum.

02 – The End Of The Line: Começa com um riff pesado,  saltando para outro, que dá uma cadência para a música. Excelente para o famoso “bate cabeça”. A letra da música é fraca e um tanto sem propósito, mas com um refrão que cativa em um certo nível. Esta música lembra algumas fases diversas, passando pelo Master Of Puppets, Load e And Justice For All. Kirk Hammet está solando novamente como se sua vida dependesse disso. Nesse ponto pode-se perceber que as músicas tendem a ser longas.

03 – Broken, Beat & Scarred: Aqui é possível notar um pouco da influência do novo Metallica (pós Black Album) com o velho Metallica. A letra passa uma mensagem positiva, constratando com a temática sobre a Morte, envolvida em quase todas as demais letras do disco. Outra música própria para “bater cabeça” e ao que parece, agradará muitos fãs. O Lars toca a bateria de forma bastante competente, com algumas viradas bem interessantes. Há um bom solo de guitarra, que remete a sonoridade do And Justice For All e dá mais fôlego à música.

04 – The Day That Never Comes: Primeiro single do álbum, esta música tem bastante semelhança com a clássica One (do …And Justice For All), com uma excelente introdução. Nesta faixa, James Hetfield canta com a voz mais limpa, lembrando em algumas partes a fase Load-Reload. A bateria fica um tanto repetitiva, com viradas muito parecidas, mas que não chega a comprometer a música. Acho que essa seria uma balada? Isso é Metallica, prepare-se para ouvir uma virada e uma disputa de guitarras. O final lembra novamente a One, com um dos melhores solos do álbum.

05 – All Nighmare Long: Nesta faixa finalmente podemos perceber a existência de um baixista, com uma participação inspirada de Trujillo. Alguns dizem que esta música lembra Enter Sandman, mas eu discordo. A letra apresenta uma temática similar, mas novamente não é muito convincente. Esse fato não chega a prejudicar a música, que apresenta alguns dos riffs mais inspirados do Death Magnetic. Percebe-se uma sonoridade mais ‘novo Metallica’, com mais um solo bem executado de Hammet. Talvez seja a melhor faixa do álbum.

06 – Cyanide: A letra não é muito inspirada, mas contém alguns bons trechos, relacionados a temática do disco. Ponto para os algumas partes da bateria e o riff de guitarra nos versos. A virada no tempo faz a música ficar mais devagar do que deveria, o que faz perder um pouco o rumo. Ainda assim Kirk Hammet salva o dia com mais um solo de guitarra criativo. Estar localizada após a melhor do disco também prejudica, caindo um pouco com o nível do disco.

07 – The Unforgiven III: Logo após ter visto este nome, tive uma expectativa muito grande, já que a 2ª parte desta trilogia não foi digna da primeira (e clássica) faixa presente no Black Album. E não é que essa música agradou? Ponto para a introdução de piano (peraí…piano? é, isso mesmo!), em um tom bastante triste, fugindo da introdução da primeira Unforgiven. A letra é a melhor do disco, ligada às outras Unforgivens pela temática. A orquestra dá um tom épico para a música. Kirk Hammet mais uma vez se destaca, com o melhor solo de guitarra do Death Magnetic. A música que era um grande ponto de interrogação, tornou-se um ponto bastante positivo para o álbum.

08 – The Judas Kiss: Após uma balada-épica, Metallica volta ao que sabe fazer melhor. Após uma introdução de guitarra que lembra a fase Black Album, James nos apresenta uma melodia bastante interessante, com um refrão que fica na cabeça. A bateria fica um tanto repetitiva, o que atrapalha um pouco com a música, mas não chega a compremeter. Boa faixa, mas fica a impressão de que poderia ser menor e melhor.

09 – Suicide & Redemption: Não só temos a volta dos solos de guitarra, como também temos a volta de músicas instrumentais. Esse é outro grande passo arriscado, sendo inevitável comparar esta música com outras instrumentais, como Orion, Call of Ktulu e To Live is to Die, o que já a deixa em desvantagem. Apesar de não ter recebido ela com bons ouvidos na primeira vez, devo dizer que existem boas passagens nessa música. Há alguns bons riffs, um solo de guitarra legal, uma das melhores baterias do disco e pode-se ouvir mais um pouco do baixo de Trujillo…quer mais?

10 – My Apocalypse: Excelente forma de encerrar o disco. My Apocalypse é um trash metal como há muito tempo não se ouvia. Peso, velocidade e uma boa linha de vocal fazem essa uma das melhores faixas do Death Magnetic. Deve agradar muito aos fãs das antigas e aos fãs de Slayer também. O único porém fica para a letra, que é muito fraca. Nesse ponto ninguém mais liga pra letra mesmo, então só balance a cabeça e aproveite.

Considerações finais:

Apesar do fracasso do St. Anger, o disco apresentou algumas boas idéias, que não foram bem aproveitadas. Eu o vejo como um disco extremamente importante, pois sem ele, não ouviríamos Death Magnetic hoje.

Ao voltar à sua sonoridade original, o Metallica acabou por limitar-se criativamente, o que nem sempre é visto como uma coisa ruim, já que o Death Magnetic se apresenta como um disco satisfatório para os fãs das antigas. Infelizmente essa busca fez com que algumas das novas músicas soassem forçadamente old school e levando a mixagem horrível do álbum. O baixo é praticamente inexistente em quase todas as faixas e as guitarras e a bateria estão demasiado altas.

Analisando individualmente as partes das músicas, é merecido destacar o esforço da dupla de guitarras. Kirk Hammet alcançou um bom resultado, com riffs de guitarra inspirados e solos de guitarra bem compostos. A bateria de Lars não chega a comprometer, mas se mostra limitada em várias faixas, com viradas previsíveis. James fez um bom trabalho com a guitarra base, mas pecou em alguns momentos com algumas letras fracas. Infelizmente pela pouca presença do baixo é difícil fazer uma avaliação mais qualificada do trabalho de Trujillo.

No geral, Death Magnetic é um bom disco, lembrando vários dos bons momentos da discografia da banda e com boas músicas. Um dos melhores discos do ano, até o momento.

Próximos reviews: AC/DC – Black Ice e Slipknot - All Hope


Respostas

  1. Hoje me sinto velho por gostar de metallica…

  2. Review tah muito bom! Esse album tah bem melhor que o St. Bosta! Só que tinham que ter dado mais importancia ao baixo, que eh classico no metallica!

    Slipknot FEDE!

  3. Gostei do review, texto muito bom!

    O Metallica foi minha banda número zero durante muito tempo, mas hoje me parece que sou limitado a apreciar o …And Justice for All e o Master of Puppets, quando ocasionalmente decido matar as saudades do velho e bom som que ouvi incansavelmente quando a música começou a ter um papel fundamental na minha vida.

    Não consigo explicar, mas apesar de concordar que é um dos melhores álbuns do ano, não consigo me encantar por ele. Ouvi todas as faixas 3 ou 4 vezes, a mérito de reconhecimento. Não me bateu a vontade de ouvi-las novamente.

    E valeu por passar pelo blog e comentar. Gostei bastante do seu, vou linkar lá, ok?

    Abraço.

  4. [...] Confira o review do The Last Man Standin’ sobre Death Magnetic aqui! [...]


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